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Mafchid

Meu dia começa normalmente pelas cinco da manhã, como meu trabalho se inicia normalmente pelas oito horas tenho alguns momentos livres para estudo ou leitura antes de sair à rua, são os mais calmos momentos do dia, mas eles voam…

São nestes momentos que acabo encontrando comentários e artigos nos blogs que mais me tocam, pela simplicidade ou pelo fato de serem autênticos, alguns dolorosamente autênticos como foi o caso deste que vou comentar aqui.

Com os blogs que mais gosto de ler desenvolvi uma espécie de afeição, as pessoas relatam fragmentos de suas vidas em meio à análises políticas ou outros temas menos fáceis, para que se desenvolva uma espécie de identificação não é difícil, mas difícil é constatar como depois de tantos séculos o sentimento de urgência e perigo que acompanham o povo judeu ainda está presente e é real, nada mais real do que a ameaça de guerra e destruição que paira sobre Israel.

No artigo “Unter der Oberflaeche lauert die Angst” ( Abaixo da superfície o medo incomoda-trad.livre) a autora beer7, uma mãe israelense e moradora de Beer Sheva, conta uma passagem de um filme que assistiu com as filhas e a cena onde uma mãe tem que mandar as meninas para longe por motivo de segurança, isto aconteceu durante a segunda guerra mundial.

Na Inglaterra as crianças foram evacuadas de Londres e Manchester para o interior da ilha em função dos bombardeios alemães, a situação comentada com beer7 ganha em substância e peso quando ela comenta a instalação de uma unidade us americana nas proximidades, no deserto do Negev, onde seriam instalados misseis para a defesa de Israel.

A relação entre o peso histórico do fato de crianças judias terem sido separadas dos pais pela loucura nacional socialista, para muitas uma separação definitiva pois muitas nunca mais voltaram a ver suas famílias, a sensação de perigo iminente vivido pela mãe beer7 ao ter que explicar para a filha como esta situação poderia voltar a acontecer, uma situação em que ela teria que se despedir por motivos de segurança é brutalmente real, se baseia em fatos concretos e não em impressões e vagas possibilidades.

A maneira quase que fatalista como a narradora desenvolve seu relato e ao mesmo tempo a determinação que se descobre por trás de suas palavras despertam em mim uma série de sentimentos, são pessoas assim que de alguma forma alimentam o meu amor por Israel e minha admiração por seu povo, e como são sentimentos…me reservo o direito de não justificá-los mais do que já fiz, amor não se justifica, se vive.

Como beer7 eu também tenho prole, alguns deles já estão adultos, outros ainda vivem no seio da família, um deles semana passada durante sua visita de férias na Universidade nos comunicou a intenção em ir para Israel dentro de um programa de intercâmbio universitário para jovens pesquisadores, nosso segundo está estacionado numa base militar da NATO a algumas centenas de quilômetros de casa, quem é pai e mãe sabe que um filho nunca cresce de verdade, nós perdemos muito de nosso poder sobre eles (se é que um dia o tivemos de fato) e nos batemos internamente em medo pelo seu futuro e segurança, não podemos fazer muito além de pedirmos à D-us por sua segurança.

Entendendo os sentimentos da colega beer7 e na forma como ela expôs sentimentos simples para situações tão concretas me senti muito perto e me senti mais uma vez co-responsável pelo rumo dos acontecimentos, admirando a capacidade da palavra escrita, admirando a maneira como sentimentos são irradiados e compartilhados criando elos, motivando ou influenciando vidas.

É por momentos de empatia como estes que pensei em escrever este blog, e é baseado na seriedade de pensamentos, condutas e sentimentos que oriento e administro este espaço.

Tempo é vida, e dedicar parte do nosso tempo à alguma atividade exige uma certa dose de responsabilidade.

Unter der Oberflaeche lauernt die Angst. Link com a tradução em português

Beitrag “Mafchid” aufs Deusche uebersetzt.

Geórgia x Rússia.

Um resumo dos últimos acontecimentos:

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I find some Brazilians who love us

(Lembrando Jean Charles de Menezes)

Telegraph

For a brief moment last week I thought I might have a story. I was in a restaurant in Piccadilly watching a priest eating kedgeree when he started talking about Jean Charles de Menezes, the Brazilian man shot dead at Stockwell Tube. “I’m not surprised he ran away,” said my priest friend. “We treat Brazilians very badly here. They’re wonderful, hard-working people but we make their lives miserable.”

Depois da onda de problemas com imigrantes brasileiros na Espanha temos agora a temporada britânica de caça aos brasileiros, o assunto mais uma vez é carregado de emoção, ninguém e principalmente nenhum brasileiro, parte de uma população multi-étnica, gosta de ser tratado como elemento de segunda-classe, manter a cabeça fria nesta discussão é também tarefa difícil e o tema além de tudo é explorado por correntes políticas nacionalistas e pela grande imprensa de forma superficial e irresponsável, sempre foi assim…vai continuar a ser assim.

De acordo com autoridades britânicas existem somente em Londres cerca de 150 mil brasileiros em situação ilegal , é um número impressionante para qualquer país, não há como se negar o direito dos britânicos em estabelecerem alguma ordem em relação ao fluxo de refugiados, o termo deve ser este mesmo..refugiados econômicos, o quanto de justiça existe na forma como brasileiros estão sendo tratados nos aeroportos europeus, ingleses neste caso, já seria um segundo tema, não menos importante, mas creio ser interessante dividirmos os problemas.

Um problema se refere aos brasileiros que já vivem no país europeu de forma ilegal, uma solução precisa ser negociada e aqui temo que os brasileiros estejam sendo instrumentalizados pelo governo britânico de forma populista, numa matéria do Telegraph do ano de 2005 um comentário se comentava na época como em uma população de 100.000 brasileiros existiam somente 17 encarcerados, a pergunta que faziam era porque tratar tão mal os brasileiros que tradicionalmente nunca criaram problemas, que sempre trabalharam duro e em contra-partida receberam sempre um tratamento miserável por parte dos britânicos, enquanto autoridades britânicas continuavam a conceder vistos de entrada para islâmicos terroristas e mesmo protegendo grupos de jihadistas assassinos.

Talvez a resposta esteja exatamente na índole brasileira, a índole pacifica daquele que não quer encrenca e por isto evita manifestações e posturas ameaçadoras, isto também reflete a mentalidade brasileira do não ativismo civil, na resistência à organização e vida comunitária, isto torna os brasileiros presa fácil de manobras políticas no exterior.

Enquanto brasileiros se escondem os islâmicos explodem ônibus, estações de metrô e se arrebentam com carros incendiários em fachadas de aeroportos, colocar islâmicos para fora é mais difícil, impedir sua entrada na UK e Europa pode criar problemas com os países que controlam o petróleo, além claro…de provocar a ira destes bastardos terroristas vivendo na Europa às custas do dinheiro público, eles podem se vingar e se vingam. Quando a população se sente traída por seus políticos, e o são com triste regularidade, estes políticos tratam de eleger um bode expiatório, geralmente fraco e mal organizado para canalizar a fúria popular e tentar salvar a própria pele, minha impressão em relação à Inglaterra e sua atitude em relação aos brasileiros é esta, os brasileiros são o menor problema que os britânicos possuem mas ao mesmo tempo o mais fácil de ser explorado e instrumentalizado.

Na contra-mão do populismo europeu existe também o populismo brasileiro, pois discutir oque leva jovens no auge de sua capacidade produtiva a abandonarem o país não é agradável, o melhor no caso é canalizar os sentimentos de ofensa, embalá-los nesta calhorda conversa nacionalista burra de sempre, e existem os canais apropriados para isto que conduzem a discussão sempre para fora dos motivos e fatos e os colocam nos trilhos errados.

O Brasil se negou à colaborar com as autoridades britânicas na triagem de viajantes com destino ao Reino Unido, é um direito que lhe cabe, além disto é uma humilhação que tanto governo e povo brasileiros não estão dispostos a aceitarem, a situação no entanto deveria ser outra, a discussão deveria se concentrar nos motivos reais da atitude britânica e não num espetáculo barato de orgulho ofendido.

Neste caso em especial não são os britânicos que estão formando uma colônia clandestina dentro de São Paulo ou Rio, e sim o contrário, qualquer nação responsável estabeleceria um plano para evitar a sangria de talentos e de cidadãos dispostos à se sacrificarem por algo melhor e que por algum motivo não acreditam mais em suas autoridades, elite ou próprio povo, ficar vociferando palavrões na imprensa online também é papel de inferiores, deformados morais ou mesmo comportamento sub qualificado, pessoas não são objetos à disposição de imposições sobre comportamento ou anseios, são indivíduos e países que tendem à padronizar as necessidades nesta direção são ditaduras e regimes autoritários, observando o teor das matérias na imprensa brasileira se percebe claramente o quanto desta mentalidade obscura e retrógrada sobreviveu ao lixo da ditadura militar brasileira.

Culpar os “gringos” por eles não nos amarem não ajuda muito, a tarefa começa na verdade dentro do Brasil, com gestos e ações concretas e não em choradeira e ranger de dentes, mas a solução deste caso é ligada à uma série de outras soluções e atitudes que sabemos…poucos têm vontade de encarar de verdade…sob o céu azul-anil, mas para equilibrar, no mínimo os britânicos merecem a reciprocidade.

A Folha publicou uma série de matérias sérias a respeito do tema, vale a pena conferi-las.

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