A campanha de difamação de Israel é antiga, mas mesmo assim sempre aparece alguma coisa nova quer na fauna anti-semita, quer nos argumentos que usam.
A novidade fica por conta dos interesses por trás das informações distorcidas, das reportagens mal formuladas ou parciais e mesmo nos recursos usados para o ataque aos judeus, á Israel e aos sionistas de forma geral.
Livros são diligentemente recortados, trechos são arrancados do contexto e assim passagens que expressam uma determinada situação ganham conotações completamente diferentes, chegam a transformar Ben Gurion em parceiro até do Mufti de Jerusalém, é ridículo.. mas a situação é real.
Uma destas obras é o Paradoxo Judaico de Nahum Goldmann.
Quem acompanha discussões em torno do drama em Israel acaba por se deparar regularmente com a subversão da obra de Goldmann em beneficio da ignorância.
A obra traz uma série de passagens interessantes, uma delas se adéqua ao propósito deste post e gostaria de comentá-la aqui:
The Jewish Paradox, edição alemã-pag.133
Durante uma discussão Ben Gurion se dirige á Goldmann, o relato do diálogo entre os dois:
-Eu gostaria de pedir duas coisas á você, a primeira que você me conceda 20 minutos para que eu possa falar sem que você me interrompa.
A segunda que você se vire contra a parede, disse Ben Gurion á Goldmann.Neste momento eu pensei que ele tivesse perdido o juízo e deixei claro que não tinha nem idéia do ele pretendia.
-Ben Gurion explicou, veja…eu quero falar á você durante estes 20 minutos mas quero ser tão sincero com você de uma forma que nunca fui, mas para fazer isto eu preciso te elogiar também… você sabe como eu nao gosto de elogiar. Eu o conheço e sei o quanto você não gosta de ser elogiado, e isto iria transformar a conversa em algo constragedor para nós dois…então…vire-se para a parede …..!
Eu me virei com o rosto em direção á parede como um idiota, e Ben Gurion falou durante 20 minutos ás minhas costas, este tipo de cena era coisa típica de Ben Gurion, este homem ríspido que ás vezes era cruel, mas também era capaz destes gestos de sensibilidade, eu consigo ainda repetir todo seu discurso que foi o seguinte:
¨Estou certo que você no fundo do coração tem uma coisa contra mim, e você em razão nisto. Nós vivenciamos derrotas terríveis, seis milhões de judeus foram assassinados, mas nós experimentamos vitórias também, a fundação do Estado de Israel e a reparação feita pelos alemães, eu sempre estive profundamente convencido de que um dia teríamos nosso próprio Estado, mas duvidava que receberíamos um centavo da Alemanha, e você Goldmann foi o arquiteto destas reparações, e ambos…eu e você fomos os arquitetos da divisão da Palestina e da fundação de Israel.
Em ambos triunfos desta nossa geração sua participação foi ativa e daí você acaba tendo o direito em se perguntar o motivo pelo qual eu não lhe confio tarefas que serão decisivas para este nosso Estado, ou seja, a paz com os árabes..
¨neste ponto Ben Gurion destaca as qualidades de diplomata de Goldmann, a maneira com a qual ele conseguiu construir uma amizade com Konrad Adenauer na Alemanha e como Goldmann fez com que Adenauer concordasse com as reparações mesmo com a oposição do parlamento alemão, sua afinidade Dean Acheson dos USA e mesmo Roosevelt. Comentou ainda a intelectualidade e modos cosmopolitas de Goldmann¨
Ben Gurion continuou:
-Com todos estes homens você pode falar de igual para igual, afinal vocês são feitos da mesma matéria-prima.
Mas com os árabes, com estes bárbaros os seus talentos são inúteis.
Nem sua formação intelectual, nem o seu charme ou seu talento de persuasão vão convencê-los pois eles somente entendem a linguagem da força, e este punho de ferro quem tem sou eu e não você Goldmann, enfim…é isto oque tinha para te dizer, agora você pode ser virar.
Interessante como funcionam os olhos seletivos dos anti-semitas, ou talvez tenham tido preguiça em ler a obra completa quando resolveram recortar uma passagem onde BG comentava seus sentimentos e temores sobre a formação de Israel, o ponto decisivo desta explanação acima no entanto não está na afirmação crua de BG sobre a índole de seus opositores, índole que até onde sei continua inalterável, mas sim em como a propaganda atual contra Israel segue um roteiro de desonestidade e superficialidade, que ficam de certa forma fáceis em se desmontar.
Uri Avnery é um outro ícone incontestável daqueles que optaram por Israel como explicação de todos os males do mundo, um símbolo cujo único valor parece ser o de possuir uma rebeldia impermeável á razão e pior, uma rebeldia que não se altera com o passar dos anos.
O processo de mudança ao qual qualquer ser humano dotado de vida interior experimenta…parece ser processo estranho á esta criatura.
Se você constata que uma convicção é fruto de Fé, Razão ou meditação, poucas coisas permanecem imutáveis durante a vida..nós as construímos á cada dia, seja pela religião, filosofia ou pela ciência, mas Avnery me parece estacionado no tempo…e fixo no mesmo espaço.
Pouco depois do ataque ao World Trade Center Avnery se manifestou e como de praxe inverteu a responsabilidade pelo ataque…
¨Os USA são odiados por milhões de árabes em função do apoio á ocupação de Israel e ao sofrimento que este causa á população palestina. Os USA são odiados pois á eles, aos árabes, parece que os USA apóiam o domínio sobre Jerusalém pelos judeus, e existem muito mais pessoas que acreditam que a América apóia seus algozes…
Toda a sociedade neste planeta poderá ser facilmente atingida, e quanto mais desenvolvida esta sociedade, mais forte será este perigo. A cada dia menos pessoas são necessárias para causar dor á outros. Logo será possível para somente uma pessoa transportar um artefato nuclear numa mala e depositá-lo num território com milhões de pessoas. Esta é a realidade do 21 Século, e esta realidade se tornou mais séria agora.
Se for confirmado que o ataque á Nova Iorque e Washington foi efetuado por arábes…(e se não forem eles ?)…então o mundo tem que finalmente curar as feridas do conflito palestino-israelense, feridas que envenenam toda a humanidade…¨
Vejam bem, colar um texto de Avnery é coisa relativamente fácil, justificar suas construções já exige um pouco mais de malabarismo retórico e contorcionismo mental.
O tenor do discurso de Avnery continua o mesmo desde então, o fanatismo religioso para ele não desempenha nenhum papel no conflito, e este só pode ser solucionado através de paciência e entendimento da limitação intelectual alheia, em outras palavras a impressão que tenho é a de que para se alcançar alguma paz é necessário que aceitemos as mortes de nossos filhos, a destruição de nossas casas, a eliminação sistemática e determinada de nossas culturas e o retrocesso de nossa civilização á idade das trevas, pois é exatamente neste estágio que se encontram os países islâmicos inimigos declarados ou camuflados de Israel.
Como Avnery á principio rejeita o conceito de guerra religiosa ele se conduz pela linha da negociação política, e nela uma condução ordenada de exigências e concessões, onde a principio só existe um problema central, a presença de Israel como Estado dos Judeus em terras que são consideradas Islâmicas, e toda a terra é considerada islâmica quando um determinado número de fiéis atinge uma massa crítica.
É assim na Holanda, Inglaterra, Alemanha e por toda a Europa, será cada vez pior se a raíz disto não for decepada no mais fundo de sua existência.
A desocupação de Gaza que segue exatamente aquilo que prega Avnery acarretou um processo de ataque á Israel que tem seu maior poder de destruição não em termos materiais mas na capacidade que um indivíduo tem em suportar um determinado nível de terror e ansiedade, a vileza, crueldade e motivação dos terroristas que atacam israel não pode ser explicada fora do contexto místico, não existe uma linha racional que leve uma pessoa á abandonar a vida de forma violenta com uma margem tão desprezível de sucesso em termos políticos, é necessário algo mais.
O mecanismo do martírio sai completamente fora do modelo teórico de Avnery e demonstra que negociações políticas com grupos como o Hamas ou Hezbolláh são a principio impossíveis, pois qualquer negociação se inicia sem um desejo de equilíbrio, aqui oque vale é a definição final do Islã de acordo com a visão destes grupos, a submissão á sua lei ou a eliminação física.
Depois do 911 se seguiram outros atentados, outros crimes terroristas islâmicos e outras respostas militares contra estes agressores.
Mesmo países onde seus cidadãos protestaram nas ruas em favor do mundo árabe, neste caso Iraque, foram atacados e continuam sob ameaça.
A cada concessão segue uma nova exigência e relacionada á ela uma nova ameaça, um crescendo onde tentam implantar a Sharia em alternativa ás nossas constituições.
Existe uma obra impressionante pela sua simplicidade, trata-se da transcrição de prédigas islâmicas coletadas durante três dias na cidade de Hamburg na Alemanha, a obra é conhecida como ¨Hamburger Lektionen¨.
Uma descrição da obra.
Hamburger Lektionen
Depois do ataque de 11 de Setembro de 2001 em New York e Washington foi tornado público que três dos pilotos suícidas, além de outros pertencentes ao então designado Grupo de Hamburg, freqüentavam a mesquita Al Quds e mantinham contato regular com Fazazi.
Á partir destes vídeos foi montado o Filme Hamburger Lektionen que reproduz palavra por palavra o discurso do Imam e as perguntas que lhe foram feitas, a obra mostra a lógica e o pensamento de Fazazi bem como expõe o conteúdo da variante islâmica do Salafismo, que de acordo com ele era a prática religiosa dos parceiros do profeta bem como das três gerações de fiéis que se seguiram.
Fazazi fugiu para o Marrocos onde foi preso e condenado ha trinta anos de prisão, não pelo atentado á Nova Iorque mas por outro atentado em 2003, na Alemanha sequer houve um inquérito sobre suas atividades.
Pois bem, a coleção de absurdos que nenhuma análise séria poupa ou permite conceder atenção, quer seja em relação ás atividades de islâmicos na Europa, quer seja pela alegação destas atividades existirem em função do Estado de Israel, quer a tentativa em justificar o ódio e a ignorância depositando a culpa sobre nós e não no criminoso, possuem componentes do mesmo discurso de Avnery e conduzem a linha retórica de todo apologético do terror.
Esta linha retórica é amplamente alimentada pela imprensa, basta acompanhar as matérias e manchetes para se entender que oque existe é uma interessante soma de fatos que flutuam em simpatia mal conduzida pelos mais fracos e submissão aos interesses comerciais que de longe são mais significativos do lado anti sionista.
Mercados dos países que tradicionalmente odeiam Israel geram muito mais lucros e negócios, são por isto são mais interessantes do que uma nação com pouco mais do que cinco milhões de habitantes, a desvantagem que Israel leva aqui é evidente, infelizmente existem aqueles que defendem outra visão da realidade e existe também um imprensa claramente pró Irã numa disputa tão absurda que chega á ser criminosa, a disputa pelo direito em difamar e planejar um genocídio.
Um dia li uma explicação pela agressividade européia e alemã contra Israel, ela aliás se encontra no texto Sobre Macacos e Porcos, as pessoas por aqui necessitam acreditar que Israel é mau, isto diminui a própria necessidade em ter que encarar um anti-semitismo que contraria a idéia que o europeu faz de si mesmo, e as raízes disto remontam num ponto distante do passado, desta forma Avnery encontra uma platéia fiel na Europa que não lhe poupa suporte.









