A tolerância não é infinita. Ela também tem seu limite e este limite se encontra na intolerância do outro.
Helmut Schmidt
Helmut Heinrich Waldemar Schmidt (nascido em 23. Dezembro de 1918 em Hamburg) político alemão do SPD (Social Democracia), foi Primeiro Ministro da República Federal da Alemanha entre os anos de 1974 e 1982.
A história pessoal e carreira política de Helmut Schmidt não é feita de lances espetaculares mas de uma mistura de pragmatismo, uma certa frieza típica dos alemães do norte e um forte toque de humanidade, alguns momentos na sua administração foram no entanto tensos, como o projeto aliado em plantar minas atômicas dentro do território alemão á serem detonadas caso acontecesse uma invasão soviética.
Suas aparições na TV alemã tem se tornado mais raras nos últimos tempos, oque lamento, entrevistas com este homem são momentos para serem documentados, Schmidt é uma espécie de compasso moral para a Alemanha e se existe algo que esta nação precisa sempre ter á frente é um compasso moral.
Há pouco tempo foi apresentada uma reportagem especial sobre o líder social-democrata, nesta reportagem que mostrava cenas não muito comuns de Schmidt em sua vida privada, filmadas em sua casa nos arredores de Hamburg, uma típica casa da classe-média alemã, o ponto forte foi assistir á um encontro privado entre ele e um velho amigo. Não seria digno de nota este encontro se este amigo não fosse um outro ícone da política internacional da velha geração, igualmente alemão mas separado de sua terra natal pelo destino e pelo crime nacional socialista, Henry Kissinger.
O registro do encontro que não foi diferente de nenhum outro encontro neste mundo entre dois velhos camaradas revelou algumas facetas interessantes sobre Kissinger, acostumado á assistir reportagens, mesmo na Alemanha onde ele só se pronuncia em inglês, foi uma surpresa acompanhar seu diálogo conduzido num alemão típico de um nativo, sem acentos característicos de sua cidade natal, Fürth , cidade localizada nos arredores de Nürnberg, Furth abrigava uma das mais renomadas Yechivá da Europa, com certeza a mais renomada da Alemanha.
Helmut e Henry discorreram sobre uma amizade que já conta com 50 anos, sobre pontos de vista comuns e sobre momentos delicados da politica internacional. Sentados á uma mesa em uma sala simples, nenhum sinal de ostentação visivel, sendo servidos com chá pela esposa de Schmidt, ambos parecem á certa altura terem esquecido que estão sendo filmados, o diálogo entre as duas personalidades e a entrevistadora, Sandra Maischberger, jornalista que goza da confiança do político alemão, transcorre num clima de intimidade incomuns para os padrões ao qual estou acostumado no jornalismo deste pais.
Tenho comigo os episódios sobre Helmut Schmidt gravados, traduzi-los não é grande problema, mas inserir sub-títulos em vídeos exige paciência e alguma experiência com o programa de edição, sendo assim temendo que a coisa seja adiada para as calendas gregas, este post vai sem o material adaptado á língua portuguesa.
Constatar a fragilidade física de Schmidt foi outra coisa que doeu, sua presença na cena política alemã, discreta mas sempre requisitada em momentos de crise, confere uma calma e sentimento de confiança, pelo menos é oque costumo sentir quando o velho se faz presente, mesmo com um certo deficit emocional, coisa que políticos brasileiros não padecem pelo contrário o emocionalismo no discurso político brasileiro ás vezes me causa espanto, Schmidt consegue ser simpático em sua maneira fria em analisar fatos á luz da razão, seu caráter é parte da nova república alemã. Mas o velho está cansado, praticamente surdo e se desloca com dificuldade, seu momento está chegando como chegará para cada um de nós.
O problema é que se alguém me perguntar quem poderia substitui-lo nesta posição de baliza moral no país…eu não saberia responder, não assim e bate-pronto.
A Alemanha teve três primeiros ministros após sua passagem pela chancelaria, Hemut Kohl, Gerhard Schroeder e agora Angela Merkel, mas como Estadista ele permanece solitário na posição e nunca precisamos tanto de alguém como ele no controle da situação como nos dias de hoje.
O vídeo abaixo mostra Schmidt em Nova Iorque, um discurso interessante conduzido em inglês e suas impressões sobre alguns temas atuais.










Que estranho! As legendas em alemão dizem mais que o discurso em inglês, relativamente pobre (refiro-me ao inglês do sr. Schmidt, não ao conteúdo do seu discurso).
Provavelmente trata-se de um texto originalmente escrito em alemão e traduzido para o inglês ¨do jeito que deu¨. Como dizem os italianos, tradutore, traditore.
Confesso a minha ignorancia a respeito do personagem em questao, que nem desconfio quem seja, o que faz nem quais sao sa preferencias sexuais dele.
¨Confesso a minha ignorancia…¨
Mordechai…eu te absolvo.
Agora em relação ás preferências sexuais do Waldemar creio que ele em função da idade…prefira mingau de maizena, mas ai é só um suposição.
LOL. O desprezo do Mordechai pela Alemanha e pelos alemaes é absoluto. E muito divertido. Mas nao conseguiria criticá-lo.
A Alemanha e seus cidadãos são os que mais se desprezam (seu passado não glorioso) o patriotismo precisa de alicerces e fundamentos históricos que é o que vai contra a Alemanha, o que acontece é que todos ficam revisando e repassando tudo e se justificando e se auditando, realmente um pais perdido.
Ze mane
Nao e desprezo. E total e completa ignorancia de tudo o que e alemao.
Acredite, no nosso curriculo escolar nao temos que estudar a alemanha, e acho que ninguem pode nos culpar.
Mas eu as vezes penso como os alemaes, como e que um povo de uma criatividade impar, de uma capacidade de trabalho fantastica, uma inteligencia ” alema”, um povo que poderia hoje ser lider e exemplo do mundo, se deixaram levar por um louco fanatico e cometeram todas as barbaridades que um ser humanopode cometer.
Qual a relacao entre a inteligencia, a criatividade e a total incapacidade de disntinguir o certo do errado????
Meu caro Felix, Helmut Schmidt conduziu a Alemanha com um equilíbrio político e diplomático bastante pragmático em relação aos interesses estratégicos americanos na Europa uma vez que intuía corretamente que aos americanos seria melhor uma guerra convencional, com eventual uso de mísseis de médio alcance, em território europeu, às custas da Alemanha, do que uma retaliação maciça de mísseis soviéticos em seu próprio território no auge da corrida armamentista e nuclear dos anos setenta. O chanceler Helmut Schmidt personifica a velha linhagem de líderes morais, amplamente conscienciosos e habilidosos em questões diplomáticas, preservando os interesses alemães, que remonta à era Bismarck.
José Antônio,
Bem vindo.
É esta exatamente minha visão de Schmidt, além da capacidade que ele tinha em estabelecer e depois manter os compromissos que assumia.
Além das qualidade políticas de Schmidt, suas qualidades como pessoa são coisa que nunca mais ví na cena política alemã.
grande abraço e bom fim de semana.