Um caso revoltante num dos países mais ricos do mundo mas onde a pobreza é punida com a indiferença, na verdade esta situação não é muito diferente de outras partes do mundo, e na Alemanha onde existia um dos melhores sistemas de seguro médico e social do mundo o caminho que foi escolhido vai acabar por produzir cenas como estas que você pode ver ai abaixo.
Nova Iorque, uma mulher de 49 anos, negra e pobre, morre numa sala de espera de um pronto-socorro.









Em relação a isso, fico até sem ter o que dizer, mas deixo aqui como lembrete, o juramento dos médicos, na língua inglesa. (Pena que o pessoal desse hospital não vai ler…
“I do solemnly swear by whatever I hold most sacred, that I will be loyal to the profession of medicine and just and generous to its members.
That I will lead my life and practice my Art in uprightness and honor.
That into whatsoever home I shall enter it shall be for the good of the sick and the well to the utmost of my power and that I will hold myself aloof from wrong and from corruption and from the tempting of others to vice.
That I will exercise my Art, solely for the cure of my patients and the prevention of disease and will give no drugs and perform no operation for a criminal purpose and far less suggest such a thing.
That whatsoever I shall see or hear of the lives of men and women which is not fitting to be spoken, I will keep inviolably secret.
These things I do promise and in proportion as I am faithful to this oath, may happiness and good repute be ever mine, the opposite if I shall be foresworn.”
* Texto recitado no New York Medical College.
P.S.: No Brasil é até pior…
Nota: Aquela face risonha apareceu sem eu querer…
Imagens chocantes, não? E quando ela cai, ninguém parece se incomodar. Ohne Geld ist man nichts (sem dinheiro não se é nada). E a Alemanha, que se encantou com o canto da sereia do Liberalismo, em 20 anos (ou até menos) chega lá. Que D´us nos guarde!
Em defesa dos USA poderia se dizer que em outros lugares do mundo cenas como estas jamais seriam divulgadas como foram.
Félix
No Brasil, estas cenas também são mostradas constantemente, afinal isso faz parte do cotidiano da caótica saúde pública brasileira, não é possível esconder.
É bem por aí, como citou o Zémane, o liberalismo desenfreado, que trás a competição acirrada, obrigando os estados a “enxugarem” seus gastos só poderia ocasionar estes problemas, há que haver um limite para isso, a mão invisível torna os cidadãos excluidos invisíveis também.
Acabo de retornar d eminhas ferias no Brasil.
Sao Paulo esta’ com um transito insuportavel.Dia ou noite. Nao sei como vai ser. Todo mundo compra carro agora. Sinal que a economia esta’ boa. Mas os precos dos imoveis estao subindo. Lembra o problema do mercado americano. Pois sao investidores especulando.
Quanto a saude, morrem tods os dias varios como essa em nova york. Outro dia morreram 12 bebes numa maternidade. Nao e’ brincadeira 12! Mas sempre se tem saudade das origens, comidas, parentes..
Hmmm… Hoje o liberalismo tem seu freio em normas reguladoras, como as trabalhistas, do meio-ambiente e as relativas à competição. Nos EUA, não acredito que as soluções venham do Estado, mas da própria sociedade organizada.
Acho, por exemplo, muito bonito o trabalho das charities e mesmo de igrejas, mesquitas e sinagogas envolvidas em atividades sociais. Elas recebem, desde o governo Bush, financiamento público para suas atividades. A lógica? Financiar indivíduos dispostos e motivados organizados em associacoes ao invés de criar órgãos públicos caros, pouco ineficientes e paquidérmicos para atender a esse fim. É uma solução mais barata. Claro que nao resolve e nao deve ser a única forma de acao, mas minora o problema.
Claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: o que pode funcionar nos EUA seria com certeza desastroso na Alemanha ou na Escandinávia. Os escandinavos, por exemplo, estão muito satisfeitos com o seu modelo, e isso sem mencionar a Noruega, que tem o petróleo do Mar do Norte. Divertido lembrar os experts, que diziam que o modelo do estado do bem-estar social nao duraria 20 anos, que era insustentável, etc.
O sucesso deles deve-se talvez à ética protestante (sorry leitores católicos), de trabalho duro, honestidade e correção associada à valorização da do indivíduo e da sua formação(investimento no capital humano). É uma fórmula imbatível.
Rogério,
Bom saber que a imprensa brasileira denuncia casos similares, tinha um amigo médico em S.Paulo que comentava na época alguns erros que aconteciam tanto no sistema como também aspectos clínicos impressionantes que sequer tinha idéia.
Apesar de uma série de problemas o Brasil não é exatamente um dos piores exemplos para serem comentados, em alguns aspectos na verdade ele está muito à frente, no caso da saúde porém a situação é a que você comentou.
Zé,
Ativismo social é fundamental mas a liberdade do indivíduo deve vir em primeiro lugar junto ao direito básico à saúde, independente de qualquer ligação que ele possa ter com a comunidade onde vive, mas esta observação que faço pertence ao caso europeu..eu explico logo mais à frente.
O modelo us americano está adequado à mentalidade us americana, a atual ministra da família da Alemanha é uma fã roxa deste modelo que nenhum futuro tem por aqui, a sociedade alemã, e de certa forma todas as sociedades européias, são racistas e o conceito de cidadania passa ao largo daquilo que deveria ser e assume uma noção étnica, ou você pertence à tribo ou está fora.
Daí no nosso caso a solidariedade e espírito comunitário só é possível dentro de grupos étnicos específicos, uma desgraça.
No entanto no Brasil este modelo seria na minha opinião mais do que adequado, o caso é…como adequar o pensamento político nacional à esta situação, políticos brasileiros tremem de medo ao imaginar o povão mais ou menos coeso em torno de uma determinada questão.
Massa,
Grande abraço.
Ze’,
Para o modelo social dar certo sao necessarios alguns elementos basicos. Dinheiro e honestidade, e pensamento secular.
Obviamente a noruega tem todos.
O modelo do estado social duraria sem o dinherio do petroleo?
Felix,
licoes que se aprendem…
Félix
Apenas adicionando um adjetivo, político DESONESTO tem medo da organização e conscientização da sociedade pois depende da alienação pública para “se dar” bem, por incrível que pareça, há políticos honestos no Brasil, socialmente ativos, infelizmente uma minoria.
No caso brasileiro, o estado ainda é muito necessário, pois não há esta sociedade organizada tão presente como estão dizendo existir em outros países, temos também igrejas, instituições filantrópicas, ONGs e etc, porém não podemos considerar sua força significativamente. As diferenças sociais no Brasil, apesar da recente melhora economica, são gritantes.
E a elite brasileira não tem essa cultura do bem estar coletivo, ainda comporta-se como as antigas elites coloniais que queriam enriquecer a qualquer custo.
Este modelo que o Zémané citou só pode funcionar em países onde a cultura é superior, em termos de consciência social, arraigada no inconsciente coletivo e que possuam o pre requisito fundamental, a grana.
Porém o estado que falo não refere-se tão somente à orgãos públicos, que tem a propensão a serem ineficientes e sujeitos a corrupção( apesar de haver orgãos públicos excelentes como o hospital das clínicas em São Paulo ligado a universidade de São Paulo que recebe gente de muitas cidades além dos paulistanos ) mas as regulamentações e sanções inerentes ao poder estatal.
A sociedade liberta de um estado, regulando-se e gerenciando-se é um ideal a ser perseguido, e possível, (se há países próximos disso como os citados nórdicos)porém ainda estamos longe de resolvemos muitos pontos de atrito entre eles o problema economico, do gerenciamento das riquezas, o ponto fraco e forte das necessidades humanas.
Massa:
Esqueca a Noruega - pegue a Finlândia, a Suécia ou a Dinamarca com exemplos: nenhum deles tem pretróleo e estao se dando muito bem, tanto no questao da prosperidade individual como da protecao social. Em outras palavras, o welfare state funciona.
Felix:
“mas a liberdade do indivíduo deve vir em primeiro lugar junto ao direito básico à saúde.”
Você me pegou! E eu que sou formado em Direito… Nos direitos fundamentais insculpidos na nossa Constituicao em seu art. 5 encontramos o Direito à vida. O Direito à Saúde seria um “direito social”, constante do art. 6 e ligado àquele. A Carta Magna no seu art. 196 também decreta: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Nao conheco, todavia, a legislacao dos EUA nem me recordo dos tratados que teria assinado nessa área.
Massa:
Dinheiro, honestidade, pensamento secular, trabalho duro. Além disso, até onde me foi possível perceber, não há na Escandinávia, como aqui, o fenômeno do empreguismo: mantêm-se os empregos públicos (e mesmo privados) necessários. O Estado tem uma função social, e nela não se enquadra dar emprego para vagabundos, preguiçosos, inúteis e correligionários de políticos como aqui, que inundam os cargos de confiança. A seriedade com o dinheiro público é impregado também impressiona: ele volta à sociedade através de serviços e obras de qualidade. Não é como aqui, que parte é absorvido pela máquina ineficiente e outra vai para o bolso dos parasitas que se organizam em torno do Estado.
Oops! A seriedade com que o dinheiro público é empregado também impressiona.
Rogério,
Longe de mim generalizar e rotular todos os políticos como desonestos, e adendo meu..corruptos, existem aqueles que não o são, isto é claro pois se assim fosse o país já teria entrado em alguma convulsão.
Seu comentário sobre as elites brasileiras encontra meu pensamento sobre o assunto, não existe compromisso entre a elite e o povo e aqui falta algum cimento ou adesivo que liguem as pessoas à uma idéia de destino comum, o problema é que este pensamento é aquele que domina o cenário político também, como iniciar a ruptura desta postura ou mentalidade ?
Massa,
Todo o dia se aprende algo novo amigão.rs
Zé,
Vou ter que comer ainda algum feijão para alcançar seu Sachverstand.
Zémane
Outra vez retorna a questão da cultura, todos esses parasitas que citou, saem do seio da sociedade, que é relativamente corrupta.
O fato de estes irem mamara nas tetas desta grande vaca é apenas uma consequência de nosso modus operandis, somos um povo novo e temos muito que aprender.
Porém houve alguma evolução, com a constituição de 88, tornou-se obrigatório o concurso público. (O que não garante absolutamente a eficiência dos concursados) Mas não podemos generalizar aplicando conceitos lugares comum. Este tipo de argumento generalista foi bastante utilizado para justificar a diminuição do Estado preconizado pelo consenso de Washington e defendido bravamente por Bresser Pereira aqui nas terras brasileiras.
Colo aqui um trecho de um estudo realizado sobre a administração pública brasileira. Dá para ter uma idéia da complexidade da situação.
“Loureiro et al. (199
se dedicam a analisar a estratégia de ocupação dos cargos de direção no
Ministério da Fazenda, entre 1995 e 1998. O estudo é inovador quanto ao objeto, uma vez que são raros
os trabalhos empíricos dedicados ao tema dos critérios de nomeação dos dirigentes 17, e também quanto
à abordagem, ao rejeitar a visão dicotômica prevalecente na literatura que tende a insistir sobre uma
oposição entre meritocracia e política. Os dados do estudo mostram que, no período analisado, menos
de 15% dos DAS-6 (os secretários nacionais de políticas do MF e o secretário executivo) foram
recrutados fora das agências governamentais, o que significa que “no MF o recrutamento do alto
escalão se faz sobretudo entre quadros burocráticos governamentais” (op.cit.:61); dentre eles, 43%
possuem mestrado ou doutorado, mostrando “o perfil predominante técnico dos DAS no MF” (id.:63).”
Vale a pena dar uma olhada na íntegra, bem interessante.
http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/CLAD/clad0043904.pdf
A clara ausencia de participacao das elites brasileiras pode ser vista na quase inexistencia de doacoes.
Quantos milionarios doam dinheiro a universidade que frequentaram no brasil?
Quantos tem fundacoes par ao bem comum?
Eles gostam de guardar e aumnetar. O pais, a sociedade que se ferre. lamentavel.
Félix
A sua pergunta é crucial. Como criar uma mentalidade coletiva protetora?
É uma questão que diz respeito não somente ao Brasil.
Não consigo perceber nenhuma estratégia a curto prazo efetiva. Teoricamente uma educação de boa qualidade, poderia apressar este processo. O conhecimento de história e política deveriam ser priorizados nas escolas.
Porém assistimos no Brasil também um processo de “deseducação”, o espírito individualista que parece se alastrar pelo planeta, o salve-se quem puder global também atinge o Brasil piorando o cenário.
O quadro é muito complexo, há ventos contrários e a favor também. A rapidez da informação da mídia televisiva e da internet são importantes, além de propagar o lado negro da força, também como veículos de informação positiva e agregadora, o fenômeno do efeito estufa e da degradação do meio ambiente é um assunto sabido por todas as classes sociais, só para ficarmos em um exemplo, acho difícil tirar alguma conclusão ou apontar uma solução determinante.
Mas como dizia o grande Petrus que comentava no blog do Guterman, se queremos mudar algo, devemos primeiro começar por nós mesmos, neste caso específico o reconhecimento da importância do coletivo, da união e da solidariedade já é um bom começo.
Rogério:
Não poderia discordar de você, mesmo que quisesse. Quando me referi à choldra no funcionalismo público, pensava principalmente no contingente enorme de contratados sob a rúbrica “cargos de confiança”, como também em tantas administrações públicas estaduais e municipais ineficientes.
Sendo filho de funcionários públicos federais tanto pelo lado paterno quanto o materno (meu pai tinha uma posição na Delegacia Fiscal do Tesouro, hoje Receita Federal), tenho o maior respeito pelas dezenas de milhares de funcionários públicos de carreira exemplares que existem em nosso país.
Quanto às elites, concordo com você, o Massa e o Felix: inexiste compromisso entre elas e o povo. Tenho, aliás, uma tese: a verdadeira elita está nos segmentos educados da classe média - são eles que deveriam desbancar esses parasitas que estão por aí e assumir o poder. No Brasil, o poder está em mãos erradas.
Rogério,
Saindo um pouco do tema principal…veja você que queiramos ou não acabamos comentando o blog do Guterman, até hoje não experimentei nenhum espaço com a mesma proposta e aqui sou obrigado à engolir algumas críticas (se bem que todas feitas de forma positiva) ao trabalho que o MG desenvolveu, o nível de envolvimento que aquele blog exigiu deve ter sido enorme.
Resta torcer para que algum dia alguém tão capacitado como ele assuma tal desafio novamente.
Desculpe a pergunta no final, evidente que não existe uma receita para a mudança e acabamos na verdade fundamental que você comentou:
¨se queremos mudar algo, devemos primeiro começar por nós mesmos,¨
Bem, ai os indivíduos precisam da consciência de que precisam mudar e depois estarem dispostos à isto, e aqui entram uma série de exigências para que estas situações se realizem, gostaria de entender melhor a verdaderia razão do PORQUE a mentalidade não se altera, mas aqui teria que estar no Brasil para me aprofundar no tema, a realidade que me serve de referência está desatualizada, uma nova geração está construindo o país e os formadores de opinião atuais às vezes não são para mim tão transparentes em seus propósitos ou métodos.
…dai copio uma passagem do Massa.
¨Quantos milionarios doam dinheiro a universidade que frequentaram no brasil?
Quantos tem fundacoes par ao bem comum?¨
Seria interessante mais à frente olharmos de perto as razões que determinam a falta de envolvimento desta parcela de milionários com o país.
Zé,
¨No Brasil, o poder está em mãos erradas.¨
Considerando que a verdadeira elite intelectual ou ideológica reside na classe média, o que acredito ser verdade, e considerando que somente com idéias não se vai muito longe, é necessário colocar idéias em prática e isto tem nome, é ativismo, fico aqui matutando que destino se reserva ao Brasil afinal.
Nenhum ranço anti-democrático de minha parte, mas a classe média, os bem educados e portanto melhor aparelhados para exercerem uma decisão (voto), me parecem não representados pelo governo atual.
Quando populismo impera as massas cobrem, em função de apelos emocionais e dirigidos, as vozes mais responsáveis que enxergam as falácias das propostas sem futuro ou sem fundamento.
Se a solução é incentivar o mais rápido possível a migração de cidadãos de classes abaixo (sem nenhuma conotação negativa no abaixo) da classe média à um estrato cultural superior, e se esta migração só se faz com uma ampla reforma da educação e na mudança de paradigmas que definem o relacionamento do individuo com a cidadania, então temos um problemão pela frente.
Estas mudanças custam gerações se feitas somente dentro do processo democrático, rápido mesmo só uma revolução. Pela via democrática..com a velocidade das transformações mundiais, não penso que haja muito tempo. Pela via revolucionária..a emenda com certeza sairia pior que o soneto.
Pessoal,
Um bom fim de semana à vocês, estou de saída, retorno no próximo domingo.
Bom Fim de semana, Shabbat Shalom.
Félix
Faço minhas as suas palavras, dificilmente haverá um blog como o do Guterman, hoje percebo que a competência e comprometimento do cara eram fora da regra.
Como acompanho de perto e já tenho idade suficiente ( portanto memória ) percebo que há uma evolução gradual do país em direção à uma mentalidade mais positiva, no geral, os meios de comunicação tiveram uma melhoraperceptível no que concerne à isenção no fornecimento da informação, parece que o senso crítico do brasileiro médio evoluiu a ponto de não aceitar manipulações grosseiras, dando trabalho para os manipuladores de plantão.
Arrisco dizer que as elites brasileiras estão enfrentando cada vez mais a necessidade de adaptação a regras mais rígidas oriundas de terceiros países como a intolerância de importadores à produtos manufaturados por mão de obra infantil e etc, coloco uma esperança nesta onda mundial benéfica para educar os empresários e, por que não, o Estado brasileiro interessados em realizar negócios com o “estrangeiro”.
As mudanças não ocorrem se não houver uma força em sentido contrário, o ser humano é um animal de hábitos, (parodiando um velho professor da USP ao comentar o comportamento do gado bovino), mudar uma mentalidade arraigada só mesmo com ventos fortes a favor, ou contra, dependendo do ponto de vista.
Um abraço e bom fim de semana a todos.
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